
Megadeth (Credicard Hall, São Paulo, 24/04/10)
Um show no mínimo surpreendente foi oque pode se presenciar na noite do ultimo sábado 24 de abril em um Credicard Hall lotado. Quem conhece sabe que Sr. Mustaine tem a fama de mal encarado, briguento, falastrão e o maior anti-Metallica que já existiu (pudera, chora por mais de duas décadas sua demissão da já citada banda). Pra piorar ele tem uma certa zica com equipamentos durante suas turnês, vide show em 2008 em que o concerto acabou antes do previsto devido ao som estar apresentando problemas e deixando o lourão louco da vida.
Pois bem, estamos aqui para falar DESSE show, ano de 2010. E qualquer expectativa e superação esteve mais que presente, afinal era a turnê do Endgame, ultimo trabalho da banda e da comemoração dos 20 anos do maravilhoso Rust in Peace, pérola do heavy metal e aclamado até hoje, este executado na íntegra. Além de David Ellefson co-fundador e baixista original da banda que retornava ao conjunto.
“Como hoje não teve banda de abertura, o show aqui em São Paulo vai ser maior!” bradando isso já se tinha em mente que surpresas viriam e realmente tivemos o maior set list da turnê, realmente soando como um presente aos fãs paulistas sendo que os shows anteriores da turnê brasileira mantiveram o seu set básico.
A introdução com a faixa instrumental “Dialectic Chaos” e, na seqüência, com “This Day We Fight“ do novo álbum já gerou um delicioso animo, já que desde o ano passado não executavam tais faixas. “Sweating Bullets” continuou a saga das “faz tempo que não tocamos“, “Skin O' My Teeth“ fecha essa primeira parte de clássicos aquecendo bem a galera antes de destilar o fabuloso “Rust in Peace“ na íntegra levando fãs realmente ansiosos pelo álbum auto intitulado à loucura. E é espantoso como o homem toca, é uma máquina de fazer solos e seus riffs esbanjam talento e bom gosto. É de se pensar realmente como seria esse cabeça dura no Metallica hoje em dia, porém convenhamos que exatamente por ser cabeça dura e síndrome de patrão é que ocasionou sua saída da banda de Lars e Cia sendo que por se auto intitular o 2º melhor do mundo poderia alcançar melhor destaque.
O som por uns breves momentos apresentou falhas, pra variar, porém quase imperceptíveis fazendo com que Ellefson falasse com a galera enquanto Mustaine ia por trás da coxia provavelmente dar um belo esporro no técnico de som. Resolvido o problema tivemos uma bipolaridade assistida, pois Dave mostrou se simpático com o publico, conversando (coisa realmente rara em se tratando dele, que mal se comunica), agradecimentos em varias ocasiões e até um sorriso meio tímido (sim ele o fez!!)
“Trust“ , o maior hit deles por aqui levanta a massa e mais duas faixas do Endgame (inclui se a ótima Headcrusher cuja qual virou clássico instantâneo). “Symphony Of Destruction“ volta a fazer barulho entre o pessoal levantando um coro de “Megadeeth, Megadeeth...“
Pro bis tivemos ,“A tout Le Monde“ exclusiva em São Paulo, e a mais que pedida em uníssono “Peace Sells“ e um encerramento com um bis do solo de “Holy Wars“.
Uma noite memorável enfim e a certeza de que Dave Mustaine, choros à parte, é um baita de um músico e provou que na realidade é ele quem não precisa do Metallica.
Anderson Vasconcelos
